A ficha catalográfica é um elemento obrigatório em publicações acadêmicas, como monografias, dissertações, teses e livros. Ela reúne, de forma padronizada, as informações bibliográficas essenciais da obra – autores, título, editora, data, assunto e classificação – garantindo que o trabalho possa ser identificado, indexado e recuperado em catálogos e bases de dados.
Historicamente, as fichas surgiram no século XIX, quando as bibliotecas buscavam métodos mais práticos para organizar seus acervos. Antes da informatização, cada livro era representado por uma ficha de papel guardada em grandes gaveteiros, conhecidos como catálogos manuais. Esses sistemas se tornaram amplamente adotados a partir da padronização promovida por instituições como a Library of Congress e pelo trabalho de bibliotecários como Charles Ammi Cutter e Melvil Dewey, que desenvolveram princípios e sistemas de classificação e catalogação que tornaram possível o uso sistemático das fichas.
Com a chegada dos catálogos eletrônicos, as fichas físicas foram substituídas por registros digitais. Ainda assim, a ficha catalográfica permanece como um importante registro técnico e simbólico, sendo obrigatória em publicações acadêmicas e editoriais.
A confecção da ficha é uma atribuição exclusiva do bibliotecário, que analisa a obra e aplica normas internacionais de catalogação, como o AACR2 (Anglo-American Cataloguing Rules) e a ISBD (International Standard Bibliographic Description), que definem a estrutura, a sequência e a pontuação das informações. No Brasil, a ABNT NBR 14724:2024 determina que os dados internacionais de catalogação na publicação devem constar obrigatoriamente no verso da folha de rosto do trabalho acadêmico.
Durante o processo, o bibliotecário também atribui à obra um número de chamada, formado a partir de sistemas como a Classificação Decimal de Dewey (CDD), a Classificação Decimal Universal (CDU), a tabela PHA ou a tabela Cutter-Sanborn, o que permite integrar o item de forma organizada ao acervo da biblioteca.
Mesmo no ambiente digital, a ficha catalográfica mantém seu papel essencial. Ela garante a padronização e a integridade dos dados bibliográficos, facilita a indexação em repositórios institucionais, contribui para a interoperabilidade entre sistemas de informação e assegura que cada obra tenha uma identificação técnica única, preservando o rigor e a tradição da Biblioteconomia na era digital.
Para saber mais:
IFLA – International Federation of Library Associations and Institutions: https://www.ifla.org
Library of Congress – Cataloging and Metadata: https://www.loc.gov/aba/
FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários: https://www.febab.org.br
